Sem salário de novembro e outros direitos
A Fábrica de Tecidos Carlos Renaux (Fatre) demitiu mais de 100 funcionários na semana passada e anunciou a paralisação de 50% da produção. Na sexta-feira (9), a empresa deu entrada a um pedido de concordata na Vara Comercial do Foro da Comarca de Brusque. Na manhã desta sexta-feira (16), ex-funcionários estiveram reunidos com o assessor jurídico do Sindimestre e um representante da Fatre para esclarecer as situações.
Nada foi definido e os ex-funcionários foram informados que não receberão o salário de novembro, o décimo terceiro salário e as verbas rescisórias. Além disso, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de alguns funcionários não foi depositado, correndo o risco deles não poderem dar entrada no seguro desemprego.
Segundo Valdírio Vanoli, presidente do sindicato, a reunião foi marcada para realizar as rescisões, mas a empresa trouxe más notícias. "Estávamos esperando que o salário de novembro fosse pago. Infelizmente, não vai ser pago nada. Pessoas que trabalharam mais de 50 anos e que hoje estão sem os direitos. Muitos nem vão poder dar entrada no seguro desemprego, porque não tem depósito. Eles dizem que vão fazer um depósito simbólico de R$ 10, para o pessoal ao menos retirar o seguro desemprego. A pessoa que ajudou a construir a empresa, hoje passa por dificuldade. O próximo passo é entrar com ação (na Justiça do Trabalho) e acompanhar a recuperação judicial", destacou.
Érico Erthal, que trabalhou 40 anos como contramestre e auxiliar de tecelagem, foi demitido na semana passada. "É bastante estranho, porque eu cresci ali dentro. Fazia parte da minha vida. Estava desde os 15 anos lá. O que se lamenta é a situação que a empresa chegou, sem a mínima condição de fazer o pagamento de novembro. Lamento e vou procurar meus direitos", ressaltou.
Osni Bodenmuller, funcionário há 23 anos, também demitido na semana passada, lamenta a falta que o dinheiro fará nessa época do ano. "Fica complicado, porque chega o fim do ano e as despesas são maiores. Simplesmente jogaram a gente na rua. Vou esperar que a Justiça exista. Dizem que o trabalhador tem direito, mas esse direito demora anos para ser cumprido. Eu sempre fiz minha parte durante 23 anos. Cumpri da melhor forma possível. Quem vem faltando com as obrigações é a empresa e não eu".
O gerente de RH da Fatre esteve no local, conversou com os ex-funcionarios, mas não quis conceder entrevista.
Colaboração: Alain Rezini



